Uma expressão tipicamente francesa com um toque de absurdo.
A expressão « esperar do meio-dia às catorze horas » pode surpreender à primeira vista. Por que razão referir um intervalo tão curto (apenas duas horas), como se se tratasse de uma espera interminável ou irracional? É precisamente aí que reside toda a subtileza desta locução tipicamente francesa: dizer muito com pouco e inverter o sentido do que é real.
Uma origem satírica e irónica
A expressão surgiu no século XVII e tem um caráter irónico: sendo «meio-dia» uma hora fixa e bem conhecida, acrescentar «quatorze horas» (ou seja, 14h) parece prolongar artificialmente a espera. Mas, na realidade, ridiculariza aqueles que complicam o que é simples ou esperam o impossível. A ideia não é tanto apontar uma longa espera, mas sim uma espera inútil, injustificada ou absurda.
Trata-se, portanto, de uma forma de antífase, um recurso retórico frequente na língua francesa, em que o sentido literal é invertido para produzir um efeito cómico ou crítico.
Uma expressão semelhante a outras formulações francesas
, «Esperar do meio-dia às catorze horas», faz parte de um conjunto de expressões que traduzem a inutilidade de um esforço ou a incoerência de uma atitude:
- «Procurar o meio-dia às catorze horas»: complicar o que é simples. «
- «Levantar-se de manhã cedo ao meio-dia»: apontar uma contradição nos termos.
Estas fórmulas revelam uma certa maneira francesa de lidar com a lógica de forma irónica, de apontar a incoerência do quotidiano.
Como se usa hoje em dia?
Atualmente, a expressão pode ser usada para criticar uma expectativa exagerada ou para gozar gentilmente com um perfeccionismo despropositado.
Por exemplo: «Ainda estás indeciso quanto à escolha do teu relógio? A este ritmo, vais acabar por esperar das 12h às 14h para passar para a hora Charlie.»
Continua a ser utilizada, embora seja menos comum na linguagem dos jovens. No entanto, mantém um encanto retro, marcado por um humor irónico.

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